Salto alto pode ocasionar diversas lesões nas corredoras

Salto alto pode ocasionar diversas lesões nas corredoras


Por Dra. Ana Paula Simões
16/06/2010 - Atualizada às 10:33


Figura 1: áreas afetadas pela compressão

Foto: Arquivo Pessoal/ Dra Ana Paula Simões

Figura 2: Raio X mostra áreas de tensão

Foto: Arquivo/ melhoragora.org

1 2 O uso de salto alto altera inicialmente nosso eixo de equilíbrio, devido ao posicionamento do pé para frente. Esta má posição, juntamente com o desconforto do próprio sapato cujo bico fino aperta os dedos dos pés, provoca uma série de problemas em seqüência, que podemos descrever de acordo com a anatomia do tornozelo e pé, de distal para proximal.



Dedos: como o pé fica sempre inclinado, a força e a carga recaem sobre a região anterior do pé e dedos (antigamente chamada de artelhos). Isso pode gerar dor pela compressão, calos e até mesmo úlceras nos pés menos sensíveis (falanges- FIGURA 1).

Essa pressão também pode causar maiores deformidades, como dedos em garra, martelo, ou botoeira, que podem se tornar rígidas e bastantes desconfortáveis.



Além disso, pode haver alterações ósseas com lesões na cartilagem e nos ossos, como osteocondroses, necroses ósseas e fratura por stress. O salto bico fino é o responsável por outro problema comum entre mulheres que o adotam com alta freqüência: como os dedos são comprimidos e ficam sobrepostos um sobre os outros, cria-se o quadro de hálux valgo, popularmente conhecido como joanete. Também pode haver um desgaste, que conhecemos como halux rígidus, formando saliências ósseas e dor na hora de movimentar a articulação.



Metatarso: essa é aquela área que na hora do impulso, na marcha ou corrida, recebe a maior carga. O pé fica inclinado, a força recai sobre essa região e depois dali sai o impulso que causa a sobrecarga (vide metatarso – figura 1). Além da dor (metatarsalgia), também podem ocorrer úlceras e diminuição do coxim gorduroso plantar, além da lesão da placa plantar.

Além disso, o aumento da pressão na cabeça do metatarso poderá gerar lesões ósseas, como necroses e artroses; das partes moles (tendinopatias e lesões ligamentares) e o conhecido Neuroma de Morton.



Mediopé e retropé: essas regiões localizadas no meio e na porção posterior do pé recebem menos carga e ficam encurtadas. Essa inclinação pode gerar um impacto na região posterior, causando dor devido a proximidade do calcâneo, talus e tíbia, que podemos verificar neste RX. (sua figura 2)



Tornozelo e perna: Como o pé fica constantemente inclinado, essa posição força a panturrilha, predispondo as tendinopatias do Aquiles, encurtamentos, síndrome de haglung, além de câimbras e lesões musculares.



Acredita-se erroneamente que o uso do salto alto fortalece a panturrilha, dando mais firmeza e beleza à batata da perna. Isso na verdade é uma contratura as custas do encurtamento e tensão constantes e não fortalecimento. Este deve ser feito de forma orientada e na musculação ou corrida.



Os problemas não ficam apenas nos pés, eles podem atingir também os joelhos, coluna e até mesmo a circulação. Para qualquer um desses problemas e mais orientações, vale sempre a pena procurar um especialista!





Dra. Ana Paula Simões

Consultora Webrun de ortopedia e traumatologia esportiva. Especialista em medicina e cirurgia do pé e tornozelo, assistente do grupo de traumatologia do esporte da Santa Casa de São Paulo e atual médica da seleção brasileira feminina de futebol Sub-20. Atendimentos: Nove de Julho (11) 3147-9430; Mais Medicina (11) 3872-9190; Santa Isabel (11) 2176-7790 e CORT (11) 3083-7799.

http://lattes.cnpq.br/2785121990946814

Nenhum comentário: